terça-feira, 22 de abril de 2008

O fumo o deixa burro!

Por ter sido um médico mais velho, com todo respeito que mereceu em vida e, com a permissão de seus filhos e netos, meus camaradas e, alguns, até, meus amigos, vou ilustrar esta crônica com uma passagem da vida do Dr. Oscar Salis Filho. O referido doutor, além da clínica médica, tinha como especialidade a tisiologia, ou seja, tratava da doença pulmonar tuberculosa e dentro dela, atuando de forma dedicada. Sendo que uma das recomendações que, pela presença da enfermidade, fazia aos seus doentes, era a de não fumar. Ele, no entanto, acendia algum de vez em quando e, sendo, sabidamente, controlado em seus gastos pessoais, preferia manter o hábito de não comprá-los. Desenvolvendo, então, uma mania que acabava sendo desconfortável aos seus amigos mais chegados, qual fosse, o de "filá-los". E, desta forma, restringindo, ao máximo, o seu consumo. Conta-se que, certa vez, ao pedir um cigarro a alguém de seu círculo de amigos, notando neste uma certa atitude contrafeita, disse desconcertado: "É Fulano, eu fumo mas não trago". Tentando, talvez, explicar o fato de ser médico, fumante e, sobretudo, pedinte. Ouvindo, então, em resposta: "É....., mas deveria trazer!!".
A verdade é que, entre as restrições médicas ao cigarro que existiam à época do saudoso doutor, há 30-40 anos ou mais no seu exercício clínico, o qual, também, por fumar quase nada, chegou a longevidade como uma pessoa saudável, ditas restrições não eram tão volumosas, precisas e exatas como as que a ciência, que tenta conservar a vida e a qualidade de vida, nos oferece hoje em dia.
Poupar-lhes-ei de ler-me citando a vastíssima gama de enfermidades causadas pelo cigarro, todas confirmadas pela ciência médica e o quanto ele limita a vida e a qualidade de vida que cada fumante passa a experimentar a partir de um certo ponto, uns mais cedo, outros mais tarde. São muitas as nefastas consequências, toda a literatura leiga as informa de modo eficiente e, assim, todo mundo tem conhecimento deste flagelo, a maioria sem tomar providências. O que é a causa da minha admiração. E os argumentos de defesa dos fumantes são os mais esdrúxulos possíveis, sendo o mais comum deles, é o de mostrar anciãos de 80 anos, que fumam. Esquecendo-se, nestes casos, de aonde e com que vitalidade estes mesmos fumantes chegariam se não fumassem. Além de, principalmente, desconhecer o que um médico vê no seu consultório e, principalmente, numa UTI, quando assiste a um fumante.
Confesso-lhes, uma das coisas que mais desejo como pessoa é ter oportunidade e tempo de poder pensar e pensar, para poder descobrir a explicação de certas coisas que acometem o homem e que são consequentes ao comportamento humano de escassa cognição das verdades, e uma delas tem sido esta.
E exemplifico-lhes com um caso: Como explicar, por exemplo, que uma pessoa que já teve uma mãe que foi vítima de enfermidade causada pelo cigarro, a qual, as consequências padece até os dias de hoje e que, no presente tem um pai preso a um leito de morte pela mesma causa, tenha a lucidez (?) e a coragem(?) para ainda acender um cigarro?!É uma ação em que, por certo, a inteligência não deve estar envolvida! E sim o vício, que leva a um tipo especial de emoção envolvente! Sendo que, daí tiro minhas conclusões: de que o vício do cigarro, além de todos os males que causa, também emburrece o indivíduo. Só pode!
Mas, ainda há quem diga:"É mas o doutor já fumou e já bebeu!!" Ao que respondo: "E muito!". Mas, esta constatação prova duas coisas: primeiro, que é possível parar e, segundo, que o doutor em questão, ao menos, largou do vício antes de ficar burro.