terça-feira, 22 de abril de 2008

A mente, a doença e a morte

Porque será que o nosso corpo adoece? Será porque está ficando velho, porque comeu isso ou aquilo, porque trabalhou de mais ou de menos, uma chuva fria ou falta de exercícios adequados, porque tropeçou ou porque correu demais? São algumas possibilidades entre um sem número de explicações mas, será que uma dor de estômago em determinada pessoa é mesmo da melancia com uva, crença comum? E porque pessoas submetidas ao mesmo ambiente e em condições semelhantes, uma adoece com mais freqüência que a outra? Ou, em outras condições, um filho é mais desastrado que o outro, ferindo-se mais amiúde?
As causas das enfermidades do corpo, e muitas são genéticas, certamente vão além do ambiente que ele vive, das circunstancias e da casualidade e todas as justificativas dadas aqui não serão realmente todas, senão que faremos apenas um ensaio.
O médico americano Bernard Siegel, que trabalhava com pacientes terminais na Universidade de Yale, nos quais pacientes a vida já ia se esvaindo, tinha um material extremamente rico e apresentou uma série de argumentos baseados em suas observações. Dizia o médico, entre outras coisas, que a doença não é, necessariamente, uma sentença de morte para o paciente, mas um sinal de que sua vida deva ser redirecionada; que não existem, obrigatoriamente, doenças incuráveis e sim pessoas que tem cura mais difícil ou que não tem cura. Em relação ao câncer, o qual tratava diariamente, referia que problemas emocionais permitem o surgimento de células cancerosas. Por exemplo, as pessoas podem desenvolver um câncer de 12 a24 meses depois de uma grande perda afetiva ou profissional, porque a sua frustração não foi devidamente expressada e tratada. E resumia dizendo, que não existiam doenças incuráveis e sim pessoas incuráveis. Chama-lhe também a atenção que pacientes que tem uma nítida condenação clínica de morte por determinada enfermidade, ao se revoltarem contra o curso dos fatos, acabam não morrendo quando, supostamente, deveriam morrer. São pacientes que passam a valorizar mais a vida pela descoberta do sentimento de fé e de amor e tem mais condições de lutar contra o seu oposto, a morte. Mas, concluia realista, nem todas as pessoas foram feitas para se recuperar de doenças e nesses casos a inclusão de outros terapeutas é de marcado auxílio na busca de resultados que podem se chamar de positivos.
E de onde vêm as forças que desequilibram os diferentes comportamentos? De um comando superior ao corpo, extremamente poderoso, pouco conhecido e ainda fora de controle total, a nossa mente. Exemplo comum, que todos conhecem, são aqueles casais de velhinhos, com uma vida inteira vivida juntos, alguns até por terem convivido as mesmas emoções, acabam ficando até com feições semelhantes, o que é exercido pela mente. É comum também, quando morre um deles, que o outro entre em processo de decomposição mental, com tristeza e depressão e o que ficou, de saudável que era, logo morre também, emocionalmente enfermo.
Conhecí um rapaz vigoroso e hígido, cujo ego começou a sofrer um bombardeio muito grande com duas situações súbitas e desestruturantes: primeiro morreu-lhe o pai e logo sua companheira teve um filho indesejado. Á partir daí, passou a sofrer da coluna, com incapacidade de movimentar os membros inferiores; peregrinou por vários especialistas que, apesar de exames acurados, não encontraram justificativa orgânica para os sintomas. Guardou leito por muito tempo enquanto a mulher fazia as suas vezes, depois adotou uma bengala; aos poucos começou a sair e hoje, após vários anos, anda na rua, curado, depois que digeriu as suas frustrações. Efeito da mente.
Algumas pessoas vítimas de maus hábitos ou vícios, que sabem que a longo prazo podem vir a adquirir uma doença consequente, como é que não conseguem interrompê-lo? Como uma cabeça não consegue discernir entre o prazer e o suicídio? Pela força exercida através de um indomado inconsciente, é claro, além do vício orgânico.
É sabido que a depressão, não ou mal resolvida, produz uma imunodeficiencia no organismo e que o torna viável de adquirir uma série de enfermidades clínicas. Do mesmo modo, a raiva pode produzir gastrite, úlcera e envelhecimento precoce. A euforia e a angústia, o enfarte. Enfim, a chamada medicina psicossomática se refere a muitos envolvimentos da mente em cada sistema do organismo.
A psicanálise, certamente, vai evoluir ao longo dos anos e permitir que o médico geral possa fazer um rastreamento mais acessível e mais popular da mente humana, para que se possa melhor ajudar a saúde do corpo, com o auxílio evidentemente do próprio paciente.