terça-feira, 22 de abril de 2008

A inocente cervejinha

Tempos atrás, o colunista Paulo Santana, muitas vezes polêmico em seus posicionamentos, teve a felicidade de tecer comentários sobre a facilidade com que as bebidas alcoólicas chegam até o consumo dos jovens, citando a participação automática de bebidas contendo álcool (onde antes existia o guaraná) nas prateleiras de qualquer evento que envolva a presença desta idade adolescente. E não deixou, o depoente, de ter absoluta razão, uma vez que a bebida, que antes era apanágio do consumismo dos adultos, que pretensamente possuíam mais responsabilidade ao beber, hoje se estende de modo destravado aos mais moços e, surpreendentemente, às mulheres jovens da mesma faixa, bem como às mulheres mais velhas que se tornaram cativas das estatísticas, como grandes consumidoras.
Longe de considerar essa uma prática expúria, a democrática, amalgamática e descontrativa cervejinha ou equivalentes, é uma instituição quase que universal que faz parte social das comemorações as mais variadas. Ou, em outras palavras, o que seria do churrasquinho, do fim de tarde e da batatinha, da pescaria, da marcação de terneiros e de outros eventos despretenciosos e circunstanciais de aconchego como estes, sem a "loirinha suada"? Mas também muito churrasco já acabou queimado ou em queimaduras pessoais até graves, muita linha de pesca foi afoitamente desentocada e acabou em morte, por causa do mau uso dela, a cervejnha. Ou não?
Mas voltando ao início, o que talvez tenha faltado ao articulista Santana naquele então foi o conhecimento técnico de alguns detalhes que lhes passo agora.
O alcoolismo, sob o ponto de vista da Organização Mundial da Saúde, constitui-se numa doença; ao redor de 10% da população mundial que tem algum contato com o álcool padece deste mal (ou seja,10 em cada 100 pessoas que usam algu tipo ou quantidade de álcool, tem problemas com ele) em grau maior ou menor e em determinados países a incidência é até maior. E mais que isso, a ocorrência em mulheres vem aumentando marcadamente e cada vez mais vem atingindo idades mais jovens nos dois sexos. Por fim, sabe-se que a doença começa com um primeiro gole, que sua ocorrência pode ser desconfiada quando o consumidor perde o controle da quantidade que bebe e que estão imunes ao desenvolvimento da doença aquelas pessoas que não ingerem bebidas com este teor.
E o alcoolismo é muito antigo, remonta provavelmente da época da primeira bebida destilada ou fermentada, o que deve ter ocorrido provavelmente por acaso. E mesmo as informações da Bíblia dão conta de que as filhas de Ló, irmão de Abraão, ao se verem ameaçadas de ficarem sem parceiros, embriagaram o próprio pai com vinho e o seduziram em noites alternadas, evidenciando também o descontrole a que se submeteram sob a influencia etílica e que as levou à prática do incesto. O que,aliás, ainda hoje ocorre com pais que seduzem filhas menores ou mesmo estupram-nas sob o efeito facilitador do álcool.
Como se vê, uma democrática cervejinha pode se tornar em uma tirana, pelo seu uso descontrolado e pelo descontorle que possa causar. E em especial em relação aos jovens, chama-nos a atenção o risco da soma da irresponsabilidade natural desta idade com a oferta farta para consumo, acrescido das permissões acarretadas por qualquer pequena quantia de álcool, como o bom que é ter uma coragenzinha adicional para as coisas mais simples, tudo conferido pelo álccol. E podendo assim não julgar bem a extensão de suas ações facilitadas.
E então, sob seus efeitos facilitadores, muitas vezes, é dada a partida para a “cheiradinha” diferente e extasiante, ou para uma baforada de certa fumacinha catingosa e entusiasmante, passando a gravidade do quadro a ser bem outra. E isto, acreditem, acontece com freqüência, é um risco que ronda o seu filho mais afoito ou mais desavisado. E é assim que, também, se faz um viciado em outras drogas.
E por falar nisso, você conversa sobre drogas(que anda solta nos encontros noturnos da cidade)abertamente com seus filhos? E vigia de longe ou mais de perto, a quantia que ele costuma beber e a sua freqüência? Ou como ele chega à noite em casa?
Pois, não é só e exatamente um problema de mau uso eventual da bebida ou das arriscadas outras experiências. Não é um mau uso como, eventualmente, pudesse ocorrer com um carro na mão de um adolescente, por exemplo. É que em um ou outro caso, dependendo das condições que andam soltas e outras pré-condições ambientais, provadas em álcool e drogas, implica em vício futuro, um caminho que depois fica muito feio e muito mais difícil de voltar, lhe garanto.