No passado, as civilizações tiveram níveis pouco aceitáveis na arte de curar, visto aos olhos de hoje. O mundo oriental possuia uma medicina nada ortodoxa se comparada aos modelos ocidentais, que nos servem de exemplo; já no Egito, seus profissionais possuiam uma condição mais elevada nas côrtes faraônicas. Ambas, exemplos com elevado grau de acurácia. Basta dizer que os egípcios praticavam trepanações com freqüência, com o intuito de curar males do cérebro e do corpo, que escapassem ao comum, principalmente aqueles que julgavam estar acometendo, também, o espírito do enfermo.
Ao longo dos séculos, a medicina tem se deparado com verdadeiras catástrofes sanitárias, com risco elevado e muitas perdas de vida. Desde a Bíblia, tivemos a peste e a lepra, devastando o mundo conhecido de então, sem que tivessem conseguido uma vitória no combate a tais males. Depois, tivemos a peste negra, a bubônica e o cólera. E, já no século XX, tivemos a gripe espanhola que em 2 ou 3 anos ceifou 30 milhões de pessoas, as quais morriam de encefalite sem que as autoridades médicas algo pudessem fazer. E por fim, afrontando escassos recursos e poucos conhecimentos concernentes, no fim da primeira metade do século findo a humanidade foi atingida pela tuberculose, de mórbido apetite; uma epidemia que, aliás, hoje recrudece.
As conseqüências emocionais na população, quando da notícia de tais surtos, dificilmente poderiam ter sido menos espantosas já que todas tinham um significado final de risco e morte. No entanto, quanto ao que ocorreu com a epidemia do câncer, na virada da metade do último século, uma doença fruto da modernidade, seja por algumas de suas causas ou pelo avanço científico que a tratou, desvendou e que por ele foi vencido, parece ser um tanto distinto.
Houve um tempo em que o câncer ganhou um recôndito lugar da opinião pública, onde se alojavam as coisas misteriosas e proibidas, pelo risco de ser citado abertamente; passando a ser chamado de "doença ruim". Além do que, as pessoas que tinham este diagnóstico passaram a ter uma previsão irreversível de morte; e, no início, assim o era, realmente. Tudo por que a competência da ciência médica corria em uma velocidade inferior à da doença, de todos os tipos e em todos os órgãos.O fato da população, nos primórdios, citar o câncer "à boca pequena", foi produto do que havia sido feito com a cultura da doença e com graves prejuízos ao seu necessário enfrentamento. Pois, também, esta ligação cultural malsinada, envolvendo uma doença grave, por certo colaborou para que o combate que lhe era feito durante um tempo se tornasse impotente. E os passos da ciência precisaram vencer a genética, a histologia e a proliferação de tumores, tendo que vencer, também, preconceitos; enquanto cada família tínha um paciente canceroso cuja morte era lamentada.
Foram necessários ao redor de cinqüenta anos para vencer-se a epidemia, Hoje, quase que totalmente controlada, como não aconteceu às epidemias do passado, graças à ciência médica atual. Lentamente, a cultura, no que lhe tocava, mudou muito e hoje as pessoas não mais se assutam ou se descontrolam com tal perspectiva. Muito pelo contrário, entenderam que é preciso fazer o diagnóstico precoce. Felizmente, muitos aprenderam a fazer exames preventivos: mamas, próstata, colo de útero e o pronto esclareceimento de sintomas estranhos; tudo transformou-se em uma nova rotina investigatória que associada à mudança do comportamento cultural, que retardava diagnóstcos e diminuia as chances, transformou as estatísticas, positivamente. Hoje em dia, que família ou amigo não tem alguém que curou-se de um câncer?
E, como a natureza requer desequilibrios para buscar sua hormonia, havendo mais vida agora após o câncer, é possível prever que outra epidemia há de se formar. E não é a Aids, que em breve será vencida.
terça-feira, 22 de abril de 2008
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