terça-feira, 22 de abril de 2008

Dormir mal

A verdadeira dimensão dos danos ocasionados pelos distúrbios do sono, que são muitos, talvez pudessem ser aproximadamete bem avaliada se comparada a dimensão de alguém que queixasse que nunca consegue acordar ou que acorda durante não mais que duas, tres horas por dia. Já pensou o transtorno?
O funcionamento do organismo humano, em muitas circunstâncias, obedece a uma ritmicidade cíclica, que lhe é imperiosa, sob pena de graves conseqüências. Assim é, entre muitos, a respiração, a circulação do sangue, o ciclo menstrual, o ciclo do humor e o ciclo sono-vigília, que regula o nosso precioso sono. Uma noite bem dormida é fundamental para a recuperação do desgaste celular, tecidual e orgânico, oportunizando através de um metabolismo peculiar que ocorre durante o sono de boa qualidade, como se fosse a marcha lenta de uma máquina, a recuperação bioquímica e energética do cérebro e do corpo como um todo, com consequente descanso mental e físico, sem o quê depois de um certo tempo de insônia crônica, iniciam-se os sintomas e sinais da falta de dormir ou da má qualidade do sono individual.
Entretanto, é muito difícil que um paciente venha ao consultório médico com a queixa principal e inicial de que tem um distúrbio de sono. Normalmente, sem que se aperceba, as queixas que lhe incomodam são aquelas conseqüentes à insônia ou ao dormir de forma perturbada e com sono não restaurador. A insonia, etendendo-se como a dificuldade de começar o sono, de ter um sono interrompido ou sono de má qualidade, sono superficial de forma continuada, por exmplo, proporcionam sintomas como cefaléia, distúrbios de memória e concentração, sonolência diurna, deficiência no aprendizado e hiperatividade em crianças, mau rendimento físico e intelectual, cansaço fácil e, quande se trata de insônia crônica extremada, podendo aparacer até convulsões. E estas podem aparecer como sendo as queixas iniciais do paciente, aquelas que mais o incomodame as que o trazem no consultório; sendo que a arguta percepção do médico deverá conduzir sempre o interrogatório sobre a qualidade de seu sono, valorizando-se em muito as respostas.
Sem ordem de importância ou ocorrência, entre os distúrbios mais comuns do sono, este queixado pelo(a) acompanhante está o ronco, o qual quase sempre vem acompanhado de apnéia de sono, que são as paradas no ato de respirar que o roncador apresenta e que, a partir de um certo número por noite, podem representar risco de vida, com morte súbita e maior tendência a problemas cardiovasculares. Segue-se a insonia, que se for no início do sono pode estar na dependência de ansiedade crônica ou episódica e que se for insônia da metade do sono em diante quase sempre está relacionada com depressão. E cujo sucesso do tratamento dependerá da condução dada à causa básica.
Outras queixas como, sindrome das pernas irriquietas, enurese, sono agitado, sonambulismo e conversar dormindo são apenas alguns dos distúrbios mais comuns de um total de várias dezenas de síndromes que a moderna investigação dos especialistas em sono identifica como doença. E que podem e merecem ser individualizadas e tratadas, devolvendo a normalidade a este terço da vida, oito horas por noite, e a uma vigília descansada.