terça-feira, 22 de abril de 2008

Coluna vertebral- novas técnicas de tratamento

Até alguns anos atrás, não muito distante no tempo, os males produzidos por alterações nos vários segmentos da coluna vertebral limitavam-se a ser tratados por emplastros, massagens, cirurgias descompressivas, coletes, repouso, imobilizações e muito desencanto. A par do desenvolvimento da cirurgia de coluna, junto vieram as atitudes fisioterápicas, que ao serem bem indicadas e bem executadas, constituíram-se em valiosa colaboração, mormente levando-se em conta o crescimento da especialidade.
Recentemente, estivemos fazendo dois cursos no centro do país sobre cirurgia de coluna vertebral, onde novas, modernas e audaciosas técnicas nos foram apresentadas, inclusive com o aprendizado e treinamento em pacientes, as quais lhes apresento.

Antes, resumidamente, é preciso que recapitulemos alguns dados sobre a coluna e suas principais alterações.

Por sua mobilidade e por equilibrar e suportar o peso do crânio e seu conteúdo, a coluna cervical é o segmento que está mais sujeito às lesões degenerativas do envelhecimento, pelas microlesões crônicas sofridas; bem como pelas lesões traumáticas agudas, pela flexão ou extensão exageradas nos acidentes, o que é de fácil compreensão. Decorrendo destes fatores, a cercicoartrose do indivíduo maduro ou idoso, bem como as lesões neurológicas correspondentes, como compressão medular, distúrbios de marcha, compressão radicular ( nervos do braço), alterações vasculares( equilíbrio, vertigem e tonturas de forma incapacitante), limitação dos movimentos e dor cervical e/ou na cintura escapularé a alteração mais comum.
O outro segmento mais comumente afetado, é a coluna lombar ; já aqui as patolo-ias ocorrem também pela mobilidade acentuada, ainda que não tão intensa quanto a mobilidade cervical, mas, principalmente, pelo peso e pressões que suporta. Como também por ser este segmento e suas estruturas( vértebras, ligamentos, disco intervertebral e musculatura) o ponto de maior incidência da multiplicação da força que o organismo executa e que a coluna suporta. Haja visto que aí se encontram as vértebras mais robustas do corpo humano.
Nesta porção da coluna, a queixa mais freqüente é a lombalgia, a qual pode ter várias causas e associada a outros sintomas. Esta é causada por sofrimento discal sem hernia.
Oturas moléstias são: hernia discal acompanhada de dor na face posterior do membro inferior, artrose lombar, estreitamento de canal lombar com compressão de várias raízes nervosas, deslocalocamentos de uma vértebra sobre outra, instabilidade no funcionamento articular, escoliose, desmineralização óssea, fratura traumática ou espontânea, o que também pode ocorrer em qualquer nível.
Por fim, a coluna dorsal, que embora com o decorrer do tempo apresente freqüentes desvios, como cifose e escoliose, por seu alinhamento vertebral naturalmente cifótico também pode apresentar fraturas de corpo vertebral por hiperflexão ou fraturas patológicas( por tumores, osteoporose e tuberculose óssea). Mas, por ser um segmento protegido pelo arcabouço das costelas, é o que está melhor fixado e, por conseqüência, é uma sede mais escassa de sofrimento.
As novas técnicas do nosso treinamento, as quais já estão sendo usadas por nós em Bagé permitem, entre outras coisas, substituir vértebras por material inorgânico de metal (titânio), por material plástico endurecido( acrílico) ou por osso halógeno ou liofilizado e outras novidades. A par disso, para tal, existem firmas que produzem esses materiais super-especializados atuando no Brasil, algumas delas em nosso Estado. E em especial a que nos cede todo o material para estas chamadas cirurgias instrumentais, além de todo o instru-mental cirúrgico para sua aplicação, que vem em caixas lacradas ( para cada tipo de cirur-gia, uma caixa especial), retornando depois de usadas.
O nosso estágio cirúrgico atual permite que façamos estudos do disco intervertebral( discografia sem anestesia), que mesmo não estando herniado pode( ou podem) produzir lombalgia e requerer uma artrodese lombar; permite a realização de plástica de vértebra, ou vertebroplastia, indicada em osteoporose com dor, fraturas ou corrosão da vértebra( sem anestesia ou hospitalização).
Além de cirurgias maiores, como as artrodeses instrumentais(cirurgias de fixação articular) lombar e dorsal com colocação de cilindro de fusão rosqueado ou espaçadores interdiscais que funde as vertebras envolvidas, usando-se instrumentos especiais e pequenos fragmentos de osso do próprio doente.
Ou artrodese pelo uso de parafusos pediculares e hastes longitudinais em dois ou muitos níveis vertebrais, eliminando os movimentos que produzem dor; ou mesmo corrigindo desvios dolorosos ou incapacitantes. Técnica, aliás, pela qual recentemente operamos uma paciente que estava totalmente paraplégica por possuir fratura patológica de vértebra dorsal e que, dez dias após a cirurgia, já vira-se no leito e iniciou a movimentar os membros inferiores.
E, ainda, a substituição de corpos vertebrais com fixação, feita pela face anterior do pescoço, na coluna cervical, com indicação na compressão neurológica por artrose severa, fraturas e em hérnias espontâneas ou traumáticas deste segmento.